cela me rassure d'avoir la confirmation qu'il est des choses qui demeurent intactes * philippe besson

one of the secrets of a happy life is continuous small treats * iris murdoch

it's a relief sometimes to be able to talk without having to explain oneself, isn't it? * isobel crawley * downtown abbey

carpe diem. seize the day, boys. make your lives extraordinary * dead poets society

a luz que toca lisboa é uma luz que faz acender qualquer coisa dentro de nos * mia couto





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6.10.13

dos alpes



esta era a altura em que senhorita j. começava a ficar em pulgas para vir de férias para lisboa. no calendario da cozinha começava a desenhar tracinhos por cima dos dias, à espera do mês de novembro. agora senhortia j. regressou a lisboa e de vez em quando (assez souvent, quand même) lembra-se dos alpes e das estaçoes, e dos bambis, e da neve e passa muito tempo em frente às fotografias, com a lagrima quase quase ao canto do olho. é a sua costela antonio variaçoes do "estou bem aonde eu nao estou porque eu so quero ir aonde eu nao vou". e de repente deu com esta segunda foto que tinha prometido à senhorita cratera da lua e que nunca tinha chegado a pôr aqui. a primeira sim, mas a segunda com tudo verdinho nao. aqui fica ela, uma das muitas janelas do topo da biblioteca. se fosse hoje, a fotografia teria cores diferentes, seria entre o verde escuro e o castanho.

e vocês, sera que também têm saudades dos alpes?

13.4.13

retrato sem fotografia

no domingo passado senhorita j. foi desfilar para a aska paris. desengane-se o leitor se pensar que tem silhueta de manequim, nao é o caso, muito pelo contrario. isto apenas aconteceu porque faz parte de uma associaçao intercultural que dedicou uma semana à polonia e convidou uma estilista polaca que precisava de pessoas nao profissionais para desfilar. ao inicio, senhorita j. disse que nao participava, mas depois acabou por ir à reuniao de organizaçao e, quando deu por ela, ja lhe estavam a pedir as medidas e o mail.
la chegou no domingo, la a vestiram, la a pintaram e la foi ela passarela fora e nada natural. houve coisas giras, muito à pina bausch porque a estilista gosta imenso do universo dela. por detras do cortinado vermelho de veludo, estavam 40 raparigas a balouçar para a esquerda e para a direita, com uma mascara nos olhos e ao som de um tango polaco e até podiam parecer bailarinas de uma peça da pina. contudo nao o eram. nem bailarinas nem modelos. mas desfilaram com instruçoes para parar por baixo das luzes para lhes tirarem fotografias maravilhosas e como tal, deviam prolongar a passagem, parar ao fundo e fixarem a maquina fotografica para um clic para a posteridade. ora, ao que parece, senhorita j. fez uma passagem relampago, diz quem a viu. e hoje recebeu as fotografias do dito desfile.

comentarios:

foi uma experiência unica na vida de senhorita j. e irrepetivel
com um casaco transparente e finissimo apenas por cima do soutien que se abria acima do umbigo, senhorita j. nem teve o cuidado de encolher a barriga
mas a verdade é que a imagem que senhorita j. tem de si mesma nao corresponde à realidade. senhorita j. tem ideia que ainda é assim e so quando se vê nas fotografias é que percebe que tem mais 10 kg em cima e que em vez de parecer uma bailarina a desfilar, parecia mais uma nadadora de corpo generoso, ombros e pescoço largos, a desfilar. 

posto isto, senhorita j. tem intençoes de tomar medidas, mas como fazê-lo numa altura em que o calendario da cozinha mostra a semana que passou cheia de almoços e jantares e outras duas que se anunciam preenchidas da mesma forma, mas acrescentando o lanche?

6.4.13

da polonia


esta semana a polonia invade bourg saint maurice e traz imensas animaçoes culturais. desfile de moda,  exposiçao de pintura, exposiçao de fotografias, ateliers de gravura, leituras, musica, dança, cinema com a presença do realizador e eu estou contente por descobrir, ainda que à distância, um bocadinho de um pais que nao conheço. oficialmente, a semana polaca começou hoje com um stand no mercado dos sabados, cheio de especialidades, doces e salgadas, livros em polaco, venda de ambar e muita gente a conversar numa lingua tao diferente. 

eu trouxe para experimentar duas variedades de fumados, chocolates de pain d'épices, bolos de sementes de papoila e rebuçados. enquanto experimentava alguma doçaria polaca, conversava com a a. que me mostrava imagens da cozinha tipica deste pais, da qual pouco sabia e que me parece imensamente colorida e perfumada.

17.1.13

uma senhorita com um buraco na meia ainda é senhorita?

senhorita j. esta longe de ser a rainha do pandam e como tal tem um look pouco harmonioso por fora e por dentro. quer dizer que nao é senhorita de combinar soutien e cuecas e é mais do estilo confortavel. quantos posts de cuecas ja teve este blog... enfim... hoje vem falar de meias. é que senhorita j. comprou uns tenis que so vao ter uso numa primavera tardia, porque aqui, como se sabe o inverno dura até ao fim de abril. entao hoje foi fazer umas compras e viu umas botitas na montra de uma loja que lhe pareceram muito bem. entrou e pediu para experimentar, embora tivesse sérias duvidas que lhe servissem porque tem a barriga das pernas generosa. mas isto tudo para dizer que quando se descalçou, senhorita j. tinha um buraco nas meias que fez corar o empregado, embora por baixo das meias tivesse uns collants rosa fuchsia bem giros, novinhos em folha, lisinhos, sem nenhuma malha. ora bem, vendo o buraco decidiu tirar as meias, para ficar com um ar mais "apresentável". como previsto as botas nao serviam e senhorita j. veio embora com as maos a abanar e a pensar que afinal o que importa um buraco nas meias quando o que verdadeiramente importa é que a roupa esteja lavada.  mas essa é que é essa. é que na verdade importa e, vivendo num sitio tao pequeno, com uma rua principal que corresponde a uma transversal da rua augusta, onde toda a gente se conhece, ela vai ser aquela rapariga que quando passar na rua principal, onde estao sempre todos os comerciantes a conversar e a ver quem passa, vai de certeza  ser "a do buraco na meia".

6.1.13

um vinho quente no café boch




ontem foi o ultimo dia de esqui deles e como acabaram mais cedo fomos beber um vinho quente ao café boch ou café de la paix. quando se entra neste lugar cheira a vinho, as pessoas estao praticamente todas ao balcao, falam alto. mas este café, para mim é um lugar magico. gostava muito de tirar fotografias bonitas a este sitio. gosto dos bancos e das cadeiras em pele, gosto dos cortinados que descem a partir do meio das janelas com vidros grandes a deixarem ver as montanhas cobertas de neve, gosto das fotografias a preto e branco na parte de cima do bar, gosto do quadro grande na parede, gosto de estar no interior e de ler as letras, ao contrario, que dizem o nome do café, iluminadas pelo candeeiro da rua. gosto do cabide para os casacos, gosto do gato que se passeia sempre la dentro e vem sentar-se ao nosso lado ou em cima de nos. e o vinho quente que bebemos ontem ali soube-me pela vida. um lugar bonito, uma bebida para nos aquecer o dia e a alma em maravilhosa companhia. é tao bom ter-vos aqui!

12.8.11

senhoras e senhores... o circo medrano...

fui ao circo depois de muitos muitos anos. ainda era criança a ultima vez que tinha assistido a um espectaculo, não me recordo ao certo que circo era, talvez o chen, mas estava na praça de espanha e nunca me esquecerei do ataque de riso que a minha mãe, o meu irmão e eu tivemos com os palhaços...

... o apresentador (sei-o agora) passou pela biblioteca, pediu-me para afixar um cartaz e, em jeito de agradecimento, deixou-me duas entradas gratis. o circo medrano vem duas vezes por ano à vila, uma no verão e outra no natal. os camiões são enormes, e o chapitô também é grande. e foi precisamente aqui a minha primeira decepção, uma tenda tão grande com um "palco" tão pequenino... veio a senhora dos tigres, depois o rapaz chinês que faz acrobacias e passa por dentro de circulos sem lhes tocar, depois veio a rapariga dos camelos, a das vacas, javalis, gansos e poneis, a dos elefantes, vêm os acrobatas, os ginastas e os palhaços. nunca gostei de ver os animais no circo mas (e embora reconheça o trabalho que é “dizer” a um elefante para pôr as patas nas costas do outro) quando acho que o espectaculo não tem encanto, parece que ainda acho mais injusto ver ali os animais. a musica ja não é musica de circo, são os ultimos hits da radio e também não tinha memoria de passarmos tanto tempo a ver os tecnicos a montarem e desmontarem os “cenarios”... ja não ha rapazes que passam com uma caixa de madeira que aperta com uma fita ao pescoço a vender nougats, chocolates ou pipocas... mas mantem-se a tradição de pedir uma moedinha pelo serviço de se levar os espectadores aos seus lugares. na segunda parte, desistimos quando vieram os palhaços, nem vimos as motas (ainda bem)...

fui ao circo porque tinha curiosidade de ver se ainda era como na minha recordação e não é... uns dizem que é pelo facto de ser um circo pequeno... talvez seja isso, talvez o circo seja para as crianças... as unicas coisas que se mantêm (e fico contente de poder agarrar-me a alguma coisa) são os sotaques diferentes dos artistas e o magico cortinado vermelho com brilhantes...

14.6.10

les alpes... aussi...


eu tinha-me esquecido das chaves do carro e de casa no trabalho. entao sentei-me num degrau à espera que a n. chegasse para abrir-me a porta. mas a n. estava longe e devo ter ficado ali uma boa hora. ja não fazia isso ha muito tempo, ficar assim sentada a ver as pessoas passarem. quando vivia em lisboa fiquei muitas vezes num banco da estação do rossio "a ver passar os comboios"... e entretanto a s. passou... sentou-se e fez-me companhia... ficamos na conversa e ela falou-me da casa dela. e perguntou-me se não queria la dar um salto para ver como era. eu fui. é uma das três casa mais bonitas, por fora, de bsm... e de repente entrei noutro mundo... era a casa perfeita... a luz perfeita, as cores perfeitas, moveis cheios de historia, também perfeitos, os mosaicos do chão perfeitos... e de repente, esta palavra que fazia tão pouco sentido para mim, ganhou uma dimensão surpreendente... e a memoria da casa trouxe-me tanta inspiração para estes dias... afinal deve haver tantas coisas bonitas escondidas em bsm...

5.8.09

do verão...














o verão é a estação dos cestos... ha ja algum tempo que queria ter comprado um, mas apetecia-me um modelo citadino e colorido e na altura estava decidida a comprar este... no entanto, os dias passaram e eu não voltei à cidade ou, pelo menos, não voltei a nenhum lugar na cidade que pudesse vendê-los... e foi assim que no outro dia, carregada, pela grande rue acima parei em frente a uma loja de que gosto muito, onde em tempos comprei uma jarra e la estavam eles à porta. com costuras muito imperfeitas (como eu gosto) mas com o tamanho certo para a quantidade de coisas que costumo transportar fora da mala que uso a tiracol. entrei e comprei-o... ainda grande rue acima (não ha muitas lojas, mas ha umas quantas onde compro sempre coisas certas), entro na M. escolho cuidadosamente alguns paus de incenso e regresso a casa de cesto cheiroso... jasmin, sapin, amande, vanille, noix de coco de um lado e a baguette do outro...

24.7.09

mais macarrões...

... depois desta que era linda, fica a mais deliciosa imagem do tour de france, uma bicicleta de sonho feita de macarrões e chocolate... parece que onde ha macarrões ha bicicletas... e onde ha bicicletas ha macarrões...

17.7.09

agora, novidades daqui...


... duas vezes no mesmo ano... mais um evento desportivo a passar aqui à porta... por pouco, mesmo à porta de casa. na terça e na quarta-feira vai ser dificil andar na rua, parece que a maior parte das estradas esta cortada à circulação... eu ainda não sei se desço para vir trabalhar... ou se me deixam descer... como dizia o sr. policia, "não é por causa de meia duzia de bibicletas que vamos impedir as pessoas de passar... mas não lhe posso dar certezas"... de maneira que é assim, a 3 dias do evento continuamos na incerteza. se estiverem em casa a ver o directo ainda são capazes de me ver à beira da estrada com uma crise de nervos... e se assim não for (espero que não haja necessidade disso) sempre poderão ver o caminho que faço todos os dias... verão certamente este lugar, este e mais este...

27.4.09

... 25 de abril...

... dois dias depois... 25 de abril nos alpes...

... foi uma noite de fados que acabou com a musica "grandola vila morena"... no meio da ansiedade para que tudo corresse bem... entrei na sala, repleta de gente, e vi... portugueses e franceses, de pé, a cantar, com os cravos no peito...


7.8.08

... é a minha mais recente aquisição... comprada hoje na "brocante" de bsm... devia ser a única barraquinha que não vendia antiguidades... era um "stand" da roménia onde um rapaz vendia estas peças feitas por famílias romenas, de horezu... nesta caso, quem fez este objecto foi a família popa. perguntei-lhe se conhecia a história destas peças e, mesmo podendo dar-lhes a utilidade que quisermos, se na sua origem tinha uma função especifica. ele disse-me que antigamente a tradição era fazer e oferecer o objecto em barro mais bonito que se conseguisse fazer... perguntei-lhe se também os fazia. disse-me que não, que apenas tinha gosto em aproveitar o que de melhor havia nos outros tirando, para ele, algum proveito disso...


a taça tinha uma lasca... "tem outra?"... depois de procurar uns momentos disse que não e disse em voz alta o que eu estava a pensar... "de qualquer forma essas peças vivem"... e eu pensei em como gosto de coisas imperfeitas... disse-lhe "levo esta na mesma... gosto tanto..." e ele disse-me "então vou fazer-lhe um desconto". e eu trouxe esta e outra... porque, na verdade, são todas diferentes... únicas... e porque gostei da história... e da simpatia...

"au revoir madame"

5.8.08

... fim de semana preenchido... sexta-feira com passeio pela cidade (mais pequenina) e regresso com a promessa de mais um delicioso jantar em casa da m., que trazia surpresa antecipada de um dia que se anuncia em grande, em agosto. domingo pic-nic à l'ouillette, outra vez... um magnifico dia de verão na montanha, à volta do lago... e segunda-feira mais um passeio, desta vez à cidade (mas a maior)...

4.8.08

... ainda a apreciar as sardinheiras da vizinhança... e a pensar que em breve tenho que vir jantar a este restaurante...

31.7.08


quinta-feira é o melhor dia da semana. o trabalho acaba às 16h e o tempo faz apetecer-me apanhar ar. subo “la grande rue” e continuo a admirar as sardinheiras alheias, esplendorosas, de meter inveja… rua acima, rua abaixo, não preciso de muito tempo… acabo a passeata e passam poucos minutos das 16h30. está abafado e o fim de tarde pede um rosé “sur la terrace”…

la vie est belle….