cela me rassure d'avoir la confirmation qu'il est des choses qui demeurent intactes * philippe besson

one of the secrets of a happy life is continuous small treats * iris murdoch

it's a relief sometimes to be able to talk without having to explain oneself, isn't it? * isobel crawley * downtown abbey

carpe diem. seize the day, boys. make your lives extraordinary * dead poets society

a luz que toca lisboa é uma luz que faz acender qualquer coisa dentro de nos * mia couto





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20.4.14

vieira ♥ arpad e o jardim das amoreiras


ontem, mesmo ao fim da tarde consegui sair um bocado. ha ja muito tempo que queria ver e ler as cartas de amor que vieira e arpad se escreviam. era o ultimo dia da exposiçao na fundaçao arpad szenes-vieiera da silva. sei que digo isto imensas vezes, mas este lugar é um dos meus sitios preferidos de lisboa. porque tem um dos meus museus preferidos, porque é uma das minhas pintoras preferidas, porque este jardim é lindo, porque o quiosque é dos mais bonitos de lisboa. porque gosto dos prédios baixinhos e porque gosto do silencio que reina no meio das arvores. 

dei a volta, li as cartas todas (apresentadas em francês e português), vi os desenhos e as pinturas. é tao bonito imaginar o momento em que arpad olha para vieira e o que pensa e sente quando a pinta. vieira no atelier, vieira com o gato, vieira a olhar para o vazio. vieira de memoria. vieira e arpad velhinhos, sentados no sofa a folhear um livro, numa fotografia a preto e branco. a caligrafia deles, as folhas onde escreviam as cartas de amor, os nomes de guerra que usavam, as palavras que por vezes achamos ridiculas quando estamos fora da bolha do amor. sempre que venho a este museu gosto mais de arpad e vieira. ha uma energia tao positiva e uma serenidade tao grande neste lugar.

… e depois, nesta exposiçao havia uma vieira apaixonada por lisboa

"en t'écrivant je regarde par la fenêtre ces femmes qui passent avec des couleurs si jolies, si fraîches. lisbonne, c'est une espèce de rafraichissement pour les yeux".

"sinto que lisboa me inspira terrivelmente, abro os olhos e devoro, como um leao, as cores e a arquitectura".

de la, trouxe dois postais e uma reproduçao de "a biblioteca em fogo". as bibliotecas que sao um tema recorrente na pintura de vieira da silva.

nao aconselho a irem ver porque ontem era o ultimo dia, mas para quem tem interesse o catalogo da exposiçao foi editado em parceria com a INCM

15.12.13

domingo em lisboa







sai logo a seguir ao almoço. bebi uma italiana num café do bairro e, como nao havia autocarro à vista, fui caminhando pela estrada de benfica, com um magnifico sol de outono e uma brisa morna. ia a caminho do jardim das amoreiras, um dos meus preferidos em lisboa. esta cidade tem uma luz tao bonita que até corta a respiraçao. entrei no museu vieira da silva por quem sou apaixonada, o que faz com que o museu seja um dos meus preferidos também. havia um mercado de natal à entrada, com preços especiais nos livros, e algumas peças de cerâmica. demorei-me no la dentro, j'ai pris mon temps. a pintura da vieira da silva transmite-me uma serenidade imensa. do arpad ha coisas que gosto muito e outras menos. é incrivel a sensaçao que se pode ter por ver algumas obras de arte assim tao perto. o museu estava quase vazio aquela hora, as salas eram praticamente para mim e a luz que entrava pelas janelas às três da tarde deixou-me comovida. que lugar tao bonito. depois de folhear os livros e de ver os postais fui em direcçao ao chiado. no principe real fiz uma paragem para visitar a parte da entrada do museu de historia natural onde também havia um mercado de natal e depois fui andando pela rua da escola politecnica com a maquina no bolso. era domingo à tarde, e as ruas estavam cheias de gente. enquanto descia pensava que nos ainda nao sabiamos fazer mercados de natal a sério. parei no miradouro de s. pedro de alcantara, depois continuei a descer. foi entao que cheguei ao largo do cauteleiro e para minha grande surpresa havia mais um mercado no largo, mas este cheirava mesmo a natal e (cerise sur le gateau) tinha algodao doce à venda. comecei por pedir meia duzia de castanhas, dei a volta de boca cheia e fui pela rua da trindade, espreitei a montra da cotovia, desci ao chiado, rua garrett e um mar de gente, imensas animaçoes de rua… nao me lembrava de lisboa assim. rua do carmo, rua 1° de dezembro e maravilho-me sempre que vejo o castelo a olhar pela cidade, sobretudo hoje que tem a lua no meio das duas torres (tenho fotografia mas ficou muito desfocada). rua augusta, duas compras e acabo por entrar na estaçao de baixa-chiado para regressar a casa.

uma palavra para este domingo: luz

what a lovely sunday

30.11.13

do sábado


o dia estava lindo e frio e o fim-de-semana estava mesmo à porta, mas antes eles estavam à minha espera. a manha passou a correr. as historias preferidas deles, que eram também as minhas, foram a bottine de madame tordu e biglouche (que escolhi a pensar na sidonie). mais uns emprestimos e devoluçoes e eu saia para começar as minhas folgas. tinha visto que, na gulbenkian, esta a decorrer a festa do livro até dia 22 de dezembro e dei la um salto. trouxe este livro cheio de cor e de coisas bonitas. penso que voltarei para comprar um outro do lalique. ao sair da livraria fui ver a exposiçao de ceramica 20 bordallianos do brasil e depois regressei a casa com planos de sair logo a seguir. mas o frio cortou-me a vontade e fiquei por aqui, em boa companhia, com livros, com os filmes que trouxe da biblioteca, com o guia dos bairros de lisboa que veio com o publico de hoje e com a sidonie.

25.5.13

ainda sobre o museu de arte antiga

na verdade, este sabado acordei cheia de perguntas e ando aqui de volta do blogger, google e afins e reparei que o meu post sobre o museu de arte antiga teve centenas de visualizaçoes, o que tera acontecido?

20.5.13

clarice na gulbenkian


eu conheço muito pouco a clarice lispector. li ha muitos anos o livro "laços de familia" e ha outros tantos ofereceram-me "a paixao segundo g. h." que comecei e nao acabei. contudo sempre gostei desta mulher, sempre me apeteceu conhecê-la melhor, saber mais sobre a sua vida e ter vontade de ler coisas que me fizessem ir mais além na obra dela. a exposiçao que vi hoje na gulbenkian resultou na perfeiçao. clarice misteriosa, clarice humile, clarice livre, clarice russa, clarice ucraniana, clarice brasileira, clarice e a correspondência com os outros escritores, clarice a ser entrevistada e a demorar a responder às perguntas enquanto fuma longamente e olha para o vazio "eu hoje estou triste porque estou cansada". 
... o movel com gavetas até ao tecto a preencher as quatro paredes, as luzes a acender e a apagar, as frases soltas de clarice escritas pelas paredes... gosto de ver exposiçoes sobre pessoas que "conheço bem" e gosto de ver exposiçoes que me deixem vontade de conhecer melhor certas coisas e pessoas.
hoje a tarde foi na gulbenkian!

19.5.13

pelo museu de arte antiga



ontem foi o dia internacional dos museus. soubemos por acaso, porque eu queria ir à gulbenkian ver a exposiçao sobre a clarice lispector e descobri quando andava à procura de informaçoes. entao mudei de ideias e pensei que me apetecia ir ao museu nacional de arte antiga que nao conhecia. é verdade. vevemos tantos anos numa cidade a pensar que as coisas estao sempre ali e que podemos vê-las quando quisermos e o tempo vai passando e acabamos por nao conhecer tanto da nossa propria cidade.
quando chegamos ao museu estava a decorrer a inauguraçao de uma exposiçao com pompa e circunstência e tivemos que esperar que acabasse para podermos iniciar a visita.
começamos pelo ultimo andar, com pintura e escultura portuguesas, descemos ao segundo piso com a  ourivesaria, joalharia, vidros, cerâmica e artes orientais. nao gosto da porcelana da china e adoro a faiança islâmica. no primeiro andar estavam a pintura e artes decorativas europeias e o mobiliario português. é engraçado que mesmo sem conhecer bem a pintura europeia, quando entramos nas salas conseguimos distinguir as diferentes escolas. 

no andar inferior estao as exposiçoes temporarias e ha um jardim maravilhoso com uma cafetaria. ontem a maior parte dos museus estava aberta à noite, quando saimos de la eram 21h30. lisboa anoitecia. que noite bonita.