cela me rassure d'avoir la confirmation qu'il est des choses qui demeurent intactes * philippe besson

one of the secrets of a happy life is continuous small treats * iris murdoch

it's a relief sometimes to be able to talk without having to explain oneself, isn't it? * isobel crawley * downtown abbey

carpe diem. seize the day, boys. make your lives extraordinary * dead poets society

a luz que toca lisboa é uma luz que faz acender qualquer coisa dentro de nos * mia couto





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16.9.12

sou piegas

ontem, às 17h estava sentada no sofa, de olhos postos na rua. nao nesta rua onde vivo, nas ruas de lisboa. acompanhei a reportagem da manifestação com os pelos dos braços eriçados, emocionada, com as lagrimas a deslizarem pela cara... emocionada com tudo, com a mobilizaçao das pesssoas, com o respeito pela forma de nos manifestarmos, sempre com flores nas maos, mesmo que na verdade ontem nao houvesse cravos, com os testemunhos das pessoas. ver os pais preocupados com os filhos, os avos preocupados com os netos, as crianças de sorrisos timidos sem esperança no futuro a reproduzirem frases de adultos. pessoas a dizerem que aos 65 anos é a primeira vez que vêm para a rua manifestar, pessoas a trazerem os filhos para lhes mostrarem que nao podemos ser inconformistas. pessoas a dizerem que venha outro 25 de abril e estarao la. milhares de pessoas acreditaram que estar ali era importante, muito mais importante, claro, do que ir para a praia. por tudo isto, por este grande gesto de desespero, mas também um grande momento humano, pelas imagens aeras do mar de gente que estava nas ruas fiquei com os olhos brilhantes e o nariz vermelho toda a tarde e pela noite dentro...
e depois uma senhora falou aos jornalistas e terminou "eu queria tanto dizer isto"...

15.9.12

saimos? mas sim, saimos!


o meu mural no facebook enche-se de protestos e de inconformismo politico. nunca a situação nacional andou tanto na boca, no coração, na carteira, no humor, na estima e no des-futuro de tanta gente.


este desgoverno, injusto, insensato foi eleito pelos portugueses, mas agora milhões querem a sua demissão, a demissão de um primeiro ministro arrogante e incapaz de se pôr em causa, um ministro que em pouco ou nada combina com a palavra democracia.


penso, muitas vezes, que nos esquecemos que o dinheiro do estado é o dinheiro dos contribuintes e que a bela vida que eles têm com ordenados, reformas, prémios milionarios e carros de luxo é graças ao dinheiro dos portugueses que trabalham e descontam para os impostos. porque aceitamos esta situação? porque aceitamos ter dinheiro a menos para nos, para que outros tenham uma vida melhor do que a nossa? seremos um povo com pouca estima? somos um povo conformista, com uma historia de muitos anos de ditadura que sim, fez uma revolução linda, poética, sem mortes e com flores, mas não chega de viver à sombra disso?


"quem cala consente" diz o povo e, hoje, o povo diz "chega de consentimetos"


não sou rapariga de dizer asneiras mas, se esta frase, numa das escadas do metro dos restauradores ja fazia sentido quando a fotografei em junho, agora ainda faz mais.
se eu estivesse em portugal hoje saia para a rua. hoje, amanhã, depois de amanhã, na semana seguinte, no mês seguinte até ser preciso.

"há uma hora, há uma hora certa
que um milhão de pessoas está a sair para a rua
há uma hora desde as sete e meia horas da manhã
que um milhão de pessoas está a sair para a rua
estamos no ano da graça de (1946) 2012
em lisboa a sair para o meio da rua
"*

*mario cesariny