cela me rassure d'avoir la confirmation qu'il est des choses qui demeurent intactes * philippe besson

one of the secrets of a happy life is continuous small treats * iris murdoch

it's a relief sometimes to be able to talk without having to explain oneself, isn't it? * isobel crawley * downtown abbey

carpe diem. seize the day, boys. make your lives extraordinary * dead poets society

a luz que toca lisboa é uma luz que faz acender qualquer coisa dentro de nos * mia couto





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17.10.15

mesa de outono


esta estaçao trouxe frutos e legumes da época dos terrenos dos meus sogros. a cozinha encheu-se de cores, perfumes e sabores de outono. é incrivel provar tudo isto, inevitavelmente, comparar com o que compro semanalmente no supermercado e chegar à conclusao que todos os dias comemos ao engano. ao engano do sabor. os tomates que compramos por ai nao sabem a nada, ao lado destes. os bolos que comemos por ai, sao palidos ao lado dos que se fazem com estes ovos. as peras e macas deitam o cheiro intenso e os marmelos prometem tardes de outono frias, na cozinha, com o forno a trabalhar sem parar. e faremos mais sopas nesta altura, com batatas, aboboras e comeremos doce de abobora também, porque sao tao grandes que poderemos fazer uma imensidao de coisas com elas. e quando vierem as nozes serao seroes passados no sofa a ouvir o cric crac durante horas para depois o miolo desaparecer numa noite. mesa bonita, esta. cheirosa. composta. genuina. sempre disse que quem tem uma terra nunca passara fome e sabera sempre o que esta a comer. 

outono, gosto tanto de ti!

29.4.15

tras-os-montes, de cabeça nas arvores


gosto do verde das arvores na primavera. gosto de salgueiros-choroes. gosto de olhar para cima e sentir que afinal sou pequenina. gosto da brisa morna que toca os ramos e a folhagem que se deixa sentir no rosto e que nao se deixa ver nas fotografias. gosto quando o som das folhas por vezes me lembra o som das ondas. gosto do sol que entra pelos espaços vazios e me faz fechar os olhos. gosto do cheiro a primavera. sera que gostamos sempre da estaçao em que nascemos?

24.4.15

pássaros do norte


o que eu gosto nesta fotografia é o fim de tarde. sao os telhados. é o céu cinzento e o sol que nao se quer apagar. o que eu gosto nesta fotografia sao os passaros unidos, mas cada um a voar à sua maneira. o que gosto nesta fotografia é a palavra liberdade.

20.4.15

april skies


tras-os-montes, ainda.
os anos passam e eu continuo a gostar de olhar para as nuvens brancas no céu azul. gosto de adivinhar-lhes os desenhos.
ah! primavera azul e verde, hoje… as cerejeiras guardaram as flores frescas, apesar da geada da noite passada. se continuar assim "diz" que vai haver muitas cerejas no verao. as macieiras também estao bonitas. conheci-lhes as flores neste dias. quando percorremos as estradas, quem mora aqui sabe quantos dias certos faltam para estar tudo florido. conhecem os campos melhor do que as maos. conhecem-nos às escuras, sabedoria antiga que vem dos tempos do contrabando.

estamos quase a ir embora, mas ainda ca ficava uns dias, esses os oito dias que faltam para ver tudo florido e cheiroso. nem acredito que ja passaram 6 meses e que estou quase quase a voltar ao trabalho. habituei-me tao bem a esta vida de mae, de dona de casa, de esplanadas de manha. via-me tao bem mais uns meses deitada com a sementinha numa manta pousada sobre a relva verde, fresca, humida a olhar as nuvens de dia e as estrelas de noite.

18.4.15

generosidade


ontem fomos à vila para tratar de umas questoes administrativas. aproveitamos para fazer umas compras e eu comprei um pequeno stock de sabonetes de leite de burra para levar. enquanto escolhia os perfumes vi a caixa onde estavam pousados e fiquei apaixonada. perguntei ao senhor se vendiam a caixa, ele respondeu-me que nao. como havia mais sabonetes com cheiros diferentes ele trouxe outra caixa para eu escolher e, como havia espaço na caixa nova para pôr os restantes sabonetes, ofereceu-me, gentilmente, a antiga. gosto de ser anonima nos lugares, mas adoro esta simpatia, que raramente  temos nas grandes cidades e que tantas vezes encontramos nas pequenas vilas. vim-me embora com uma caixa bonita, com sabonetes perfumados e um sorriso nos lábios.

tras-os-montes


chegamos a tras-os-montes ha dois dias. era capaz de saber que estamos aqui so pelo cheiro, nas ruas. era o fim da tarde. so tivemos tempo de nos sentar, beber o aperitivo e jantamos. aqui passamos muito tempo à mesa. aqui o tempo é outro. aqui dorme-se tao bem. tinha saudades desta calma, desta proximidade com a terra, com a natureza. 

histoire de pieds (87)


tras-os-montes * avelanoso
cerejeiras em flor

19.8.14

"e tinhas a eternidade nas mãos"



as quatro primeiras fotografias foram colhidas no jardim da casa de tras-os-montes. a primeira é uma janela vizinha abandonada. a segunda e a terceira sao o reflexo das folhas na agua do tanque esquecido por debaixo da cerejeira. a quarta é o brilho das uvas nos finais de tarde, pouco antes de o sol se pôr e esta ultima fotografia foi tirada em espanha, ali mesmo, numa aldeia fronteiriça. 

regressei ao ultimo livro da ana teresa pereira. nao o tinha terminado. às vezes preciso de afastar-me uns tempos e depois voltar ao seu universo. tras-os-montes foi o melhor lugar para regressar. as primeiras fotografias sao imagens perfeitas (para mim) sobre a forma como sinto o ambiente dos livros e esta ultima fotografia foi o encontro inesperado com esta ultima frase. 

"- eu vi-te em nova orleães.
- numa longa tarde de chuva.
- e tinhas a eternidade nas mãos"

ana teresa pereira * as longas tardes de chuva em nova orleães * relogio d'agua

17.8.14

de regresso



dos campos dourados com molhos de feno enrolados, das noites frias, das conversas de café, da fronteira, do lugar onde ha tempo porque ele parou, das sestas debaixo da cerejeira, das leituras, da escrita, das tardes a fazer brincos, da organizaçao do computador, da ausência da internet e das fotografias com o telefone porque a maquina avariou. acabaram-se as férias e eu quase nem as vi passar. esta semana anuncia-se cheia e começa cedo e a correr, ja amanha. estou de rastos.

8.11.12

tras-os-montes


tras-os-montes foi so um dia mas houve tempo para acender a lareira, para apanhar cogumelos, ver as maças ainda nas arvores, um belissimo céu azul de outono e cores lindas nas arvores

7.11.12

expresso tras-os-montes bordeus



de lisboa rumamos a tras-os-montes e pelo caminho vimos o arco-iris. o arco-iris que tinha sido razao de conversa do jantar de sabado em casa da minha prima s. dizimos que era assim uma coisa magica... as cores, o efeito surpresa de olhar para o lado e ver de repente 7 cores num céu cinzento escuro e carregado. 
quando chegamos estava frio e chovia, o n. foi buscar lenha e acendemos a lareira para uma noite aconchegante e mais calma do que estes ultimos 15 dias em lisboa. em casa voltamos a estar em modo francês, a lingua, a televisao, as pessoas na rua. e hoje estamos em bordeus!  


21.5.12

sabonetes de leite de burra





no ano passado tinha comprado dois sabonetes de leite de burra numa loja em campo de ourique. este ano comprei novamente dois com perfumes diferentes, no sitio onde eles sao feitos, em vimioso. na verdade, o leite de burra é que vem de vimioso, depois é enviado para frança onde sao feitos os sabonetes. o de azeitona cheira optimamente bem e as embalagens sao lindas!

20.5.12

avelanoso




de bordeus passamos dois paises para finalmente chegarmos a portugal. logo depois da fronteira tras-os-montes. e em 10 minutos avelanoso. avelanoso é uma aldeia perdida no tempo, as tradiçoes estao em cada esquina, as casas tipicas partilham terrenos com as construçoes mais recentes de muitas pessoas que nos anos 70 nao tiveram outra escolha senao procurar outro pais para, primeiro, sobreviverem e depois viverem. aqui comem-se ovos amarelos (a sério), passeia-se na estrada ao lado das vacas e nos campos ao pé dos burros, despenteados. tocam os sinos em avelanoso. ouvem-se as rãs, as cigarras, sente-se a brisa que faz "abanar os campos". ha flores de todas as cores, cheira tao bem.




no primeiro dia vi em engenho que nunca tinha visto. muitos ovos la dentro uma luz que se acendia de vez em quando. e nessa noite nasceu o primeiro pintainho, seguiram-se outro e outro e mais de dez foram para junto de uma galinha que tomou conta deles como se fossem seus. vi os burros, as galinhas (e uma cobra), comi torradas de "fugaça", aqueci-me na lareira; de dia fiz bolinhas de sabao e de noite brinquei ao cubo magico.

9.7.11

tras-os-montes































e ainda durante as férias, chegamos a tras-os-montes... avelanoso das cerejeiras, do jardim florido, no nosso casamento... avelanoso dos sons do campo de manhã, da buzina da carrinha do pão que traz a deliciosa fugaça e os folares... passa a carrinha do peixe, a da carne, a dos gelados... e todo estes sons se misturam com os sons dos passaros, das cigarras, das rãs... avelanoso dos pequenos almoços de torradas enormes, dos aperitivos por baixo das cerejeiras, dos almoços com ingredientes que vêm daquela terra, de morangos silvestres para a sobremesa... avelanoso das cerejeiras carregadas, repletas de luz... tantas cerejeiras à beira da estrada, nos campos... e nos vamos para la, levamos um balde grande e vamos apanhando as que ja estão bem vermelhinhas...


... é o ano das cerejas, um dos meus frutos preferidos...

30.6.09

rumo a tras-os-montes...

... este cruzamento cheira a férias... a aldeia ainda estava vazia. chegamos ao fim da tarde... abri o portão e vi um espectaculo de flores de todas as cores... as rosas grandes e abertas... um grande zumbido por baixo das três cerejeiras, sem cerejas, por causa das geadas.

entramos, instalamo-nos. disseram-nos que não chovia ha mais de um mês. mas a noite estava fresca e sentimos algumas gotas de agua. tudo isto pedia lume e foi o que fizemos nessa noite. abrimos uma garrafa de vinho, feito pela familia, a c. ofereceu-nos algumas cerejas de uma cerejeira sortuda, comemos fugaça e chouriças tradicionais e ficamos ali a conversar ao calor e a cheirar a lenha.

no dia seguinte esperava-nos um almoço num bom restaurante daquela zona. pratos saborosos e generosos e o vinho sempre muito bem recomendado. ir a tras-os-montes é passar muito tempo à mesa. é conhecer e conversar sobre as estações, sobre arvores e os frutos, saber os nomes das flores, conhecer a vida dos animais... e é por isso que nessa noite fomos jantar a casa da c. que nos preparou um delicioso galo caseiro com batatas no forno e com uma optima salada, temperada à portuguesa. para a entrada fumados caseiros e melão. no dia seguinte fomos à cidade...

8.9.08

enquanto vou escrevendo estas palavras o brilho do "novo acessório" da minha mão esquerda desvia-me a atenção... é o primeiro post com novo estado civil, apesar das complicações com o nome e com o bilhete de identidade... ora, o meu marido, aos 35 anos tomou conhecimento que o apelido que adopta há anos não é apelido mas nome próprio... as complicações surgiram desde o início, em tudo e ainda hoje me pergunto como é que esta complicação toda originou a festa "perfeita"... eu tinha medo, muito medo… mas não houve nada a apontar... os pais, as madrinhas e os padrinhos estiveram lá em tudo, o tempo todo. a carroça estava linda embora ninguém conseguisse emparelhar o burro, mas logo se arranjou uma solução. 8 pessoas de volta da carroça para que ela não se virasse ou fizesse marcha atrás. eu e o meu pai com as unhas cravadas no banco e o caprichoso do burro ainda parou para beber água... as portas das casas típicas transmontanas enchiam-se de gente, os sinos tocavam desenfreadamente, a música de entrada na igreja era linda, feita pelos "primos", as flores nos bancos da igreja tão sóbrias e maravilhosas, postas em tempo recorde pelas amigas por causa do atraso da procissão. o padre de ténis, toda a gente a chorar, mas a música e as leituras sempre ali para animar. assinaturas e saída da igreja, esquecemo-nos das pétalas naturais, mas voaram as de plástico e muito arroz no cabelo e para dentro do vestido a chamar pela felicidade (dizem uns) e pela fertilidade (dizem outros). mais musica, desta vez os pauliteiros de miranda, cheios de flores nos chapéus... dançaram 15 minutos debaixo do calor tórrido de agosto. fotografia de grupo e descida até ao jardim de casa para começar a festa... pelo caminho a música de infância que tantas vezes tive que ouvir para ver se comia ( e que ao longo da noite serviu a outras letras) a relembrar que os tempos são outros. champanhe, música, a comida nas mesas “perfeitas”, simples e tão sóbrias... com os nomes das ruas de lisboa... e a musica do p. e do v. toda a noite no melhor...

... nunca acreditei na perfeição, mas há dias perfeitos ou momentos perfeitos... e fico à espera que este dia contagie muitos outros que por aí virão...

3.7.08

... um carrinho cheio de calor e aconchego para a última noite fresca e as saudades do cheiro da lenha...

2.7.08

chegada a avelanoso, aldeia de trás-os-montes praticamente desconhecida, perdida no tempo e nós perdidos nele também... seis meses depois, apetece um pequeno almoço português...