disseram-me isto esta semana.
também me disseram que tinham saudades dos meus dias quentes, quando partilhei uma fotografia de ha 4 anos atras de um dia de neve.
e eu também penso que a minha vida mudou. mudou tanto. o olhar sobre a minha vida mudou, a minha disponibilidade mudou, aquilo que eu faço com o tempo mudou. até a frequencia com que escrevo aqui no blog mudou. as vezes que estou com os meus amigos mudou, as vezes que lhes telefono mudou, as vezes que vou para o centro de lisboa mudou. e eu penso que o que realmente mudou foi o meu entusiasmo por tudo. hoje parece que encontro mais conforto em estar sozinha com a m. ou sozinha comigo. penso que ganhei este sentimento durante o tempo todo que vivi longe de tudo e de todos, nas montanhas perdidas dos alpes… eu… que tinha tanta vontade e tantas expectativas de voltar a viver em lisboa, de encontrar a azafama, a quantidade de coisas que a cidade oferece e a quantidade de coisas bonitas e diferentes que podem ver-se quando saimos de casa. e encontro isso tudo, de facto. nem sempre usufruo das coisas como gostaria por causa do tempo e do porta moedas. aqui o tempo foge… nem tempo para ir levantar a maquina fotografica, que ficou a arranjar, tenho. nem reparei que era natal. deixei de me entusiasmar com o natal, que era uma coisa que nunca imaginaria que podia acontecer. sempre delirei com esta epoca do ano. agora nao me venham aborrecer com prendas, e porquê comprar um presente de proposito quando nao se faz ideia do que se vai oferecer. dar por dar. e este ano passa-se o 24 com este e o 25 com aquele, mas no 25 tal pessoa nao esta porque vai passar com a familia do outro com quem nao esteve no ano anterior. e muda o programa todo. este ano é o segundo natal da minha filha. é ainda pequena para perceber isso, mas delira com as luzes na rua e quase que a ouço dizer a palavra natal, quando passeamos abraçadas depois de eu regressar do trabalho. nem fiz a arvore, com a desculpa esfarrapada de ela ainda é pequena para perceber. o ano passado era minuscula, este ano é pequena.
a casa esta fría. a casa esta descuidada. eu entro na cozinha para ir buscar qualquer coisa e saio logo por causa do frio que la esta. como pouco e depressa. como sem variedade e entusiasmo. emagreci. dantes, o forno na cozinha bombava enquanto a neve caia abundantemente la fora. havia as grandes portas janelas e o espanta espiritos que nos deixava adivinhar as tempestades. havia os passos felizes dele a chegar a casa. havia apero e cozinhados em amena cavaqueira na cozinha, havia filmes no sofa. havia domingos cinzentos em casa, havia fotografias no caminho para o trabalho, havia as montanhas luminosas em dias de sol, havia um entusiasmo enorme em ler os blogues e trazer aqui novidades. isso tudo acabou. adaptou-se uns tempos à vida na cidade e vieram passeios, ao inicio, fotografias da cidade. e depois um encolher de ombros. um baixar a cabeça. e o vazio.
mas aqui ha outras coisas que se sentem e que nao se explicam o por palavras. aqui, eu sou eu sem ter que estar constantemente consciente disso. mas … e entao? a questao nao é o ca ou o la. a questao é o entusiasmo no presente. e vou idealizando as recordaçoes.
o que é que este post quer dizer? que o presente esta um "assim-assim" e para me lembrar que eu sempre gostei de pequenas coisas, a fazerem de um dia assim-assim um grande dia. por isso, vou por ai, ver se encontro uma pedra pequenina bonita e verde e se depois arranjo tempo e entusiasmo para contar isso ao mundo.



