cela me rassure d'avoir la confirmation qu'il est des choses qui demeurent intactes * philippe besson

one of the secrets of a happy life is continuous small treats * iris murdoch

it's a relief sometimes to be able to talk without having to explain oneself, isn't it? * isobel crawley * downtown abbey

carpe diem. seize the day, boys. make your lives extraordinary * dead poets society

a luz que toca lisboa é uma luz que faz acender qualquer coisa dentro de nos * mia couto





Mostrar mensagens com a etiqueta familia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta familia. Mostrar todas as mensagens

26.12.14

"no instante da partida ha sempre uma demora, nao do tempo - da vida"


diz o povo que, nas familias, quando nasce uma pessoa ha outra que desaparece. este mês, morreu a minha tia-avo. poucos dias depois da m. ter nascido. morreu sem que nada o fizesse prever, no dia dos anos do n. tinha 90 anos. sobre a minha tia avo ja falei aqui pelo menos duas vezes, uma sobre a sua paixao por lisboa e sobre os seus passeios nunca sem uma pequena pausa para beber uma ginja, falei sobre ela frequentar os clubes de fado de campolide, bairro onde nasceu e viveu toda a sua vida e depois contei a historia da old england, onde ela trabalhou como costureira a fazer casacos, e sobre os militares andarem fardados com modelitos feitos pelas suas maos e pelas maos da minha avo. uma mulher do exercito portanto, com um coraçao grande e um grande gosto pela vida. antes de ir, nao teve tempo de conhecer a m., mas fez questao de comprar-lhe estas botinhas, sem saber que ela era uma rapariga dos alpes. eu adorei-as e adorei esta coincidência inocente.

portanto fica aqui um grande beijinho cheio de carinho para a minha tia-avo, mulher de garras e de sorrisos, de colares e de chapeus, de fado e de lisboa que gostava de escrever o seu nome com dois t's.

25.10.11

old england feito à mão * old england fait à la main


a minha mãe conta-me que, ha muitos anos atras, a minha tia-avo suzete trabalhava para a old england... não era empregada de balcão, não atendia as pessoas, era ela que fazia os casacos que se vendiam nessa loja que, parece, ficava na baixa de lisboa, na rua augusta, segundo esta maravilhosa publicidade antiga. por mais esforços de memoria que faça, não consigo lembrar-me desse comércio, mas fico perplexa quando penso nesse tempo em que as coisas que se vendiam nas lojas eram feitas à mão, não se ouvia falar em trabalho infantil na china, não havia importações da india e do bangladesh. as lojas tinham costureiras e alfaiates. e la ia a minha tia-avo, especialista dos casacos campindo(?). fazia um por dia. punha o molde, marcava com giz, cortava com a tesoura, alinhavava, cosia à maquina e fazia os acabamentos à mão. todos os anos a minha mãe e a minha tia recebiam um desses casacos novos, que apertavam com botões de alamares. a minha mãe conta-me ainda que ela propria e a irmã, chegaram a fazer casas, nos casacos, para esses botões, porque a minha avo e a minha tia-avo suzete, ainda tinham que fazer os casacos para os militares do casão da graça.

em paris, quando vi a old england, não pude deixar de me lembrar desta historia da minha tia avo que é a mesma que cantava nos clubes de fado de campolide aos fins-de-semana, a que nos fins de tarde de outono, entre o fumo dos carrinhos de castanhas, passeia na baixa em direcção à espinheira para ir beber uma ginja... é uma mulher com uma grande "joie de vivre"...

e agora pergunto-me eu, com uma familia de costureiras, como é que eu não tenho jeitinho para fazer nada?


ma mère me raconte qu'il y a longtemps, ma grande tante suzete travaillait pour old england. elle n'était pas caissière, elle n'était pas vendeuse non plus, en faite c'était elle qui faisait les vestes vendues par ce magasin qui, parait-il, se situait à rua augusta, selon cette ancienne pub. malgré mes efforts de mémoire, je n'arrive pas à me rappeler de ce commerce, mais je reste perplexe de penser que dans ces années-là, tout était fait à la main. on n'entendait pas parler de travail fait par les enfants en chine, ni d'importations d'inde ou du bangladesh. les magasins avaient leurs propres couturières et tailleurs. et la voila, tati suzete, spécialiste des vestes compindo(?). elle en faisait une par jour. elle mettait le moule, faisait des marquages avec la craie, découpait avec les ciseaux, faufilait, cousait à la machine et elle faisait les finitions à la main. toutes les années, ma mère et ma tante recevaient une veste comme celles-là toutes neuves, qui se fermait avec des boutons brandebourg. ma mère me raconte encore qu’elle même et sa sœur ont aussi fait des petits travaux de couture car il fallait que ma grand-mère et ma grande tante fassent encore les vestes des militaires de la caserne de graça.

quand j’ai vu le magasin old england à paris je n’ai pas pu m’empêcher de penser à ma grande tante suzete, la même qui chantait dans les clubs de fado à campolide les weekend, la même que, lors des fins de journée d’automne, entre la fumée des vendeurs de châtaignes, se balade dans la baixa, direction à espinheira pour boire un petit verre d’alcool de grillotes… c’est une femme avec une grande joie de vivre…

et maintenant je me demande, comment ce fait-il qu'avec une famille de couturières comme la mienne je ne sois même pas douée pour coudre un bouton?

27.12.09

uf!

... natal agitado, este. mas noticias e depois piores do que mas... o jota, na noite do dia 24 foi ver a avo, ao lar, no centro de lisboa. quando acabou a visita ainda era de dia, parece-me. ele ia a falar ao telemovel quando entrou dentro do carro e, inesperadamente, dois rapazes que iam a andar normalmente na rua entraram para o carro dele e começaram a bater-lhe. um apertou-lhe o pescoço e o outro tentava entrar para o lugar do condutor... valeram-lhe os pontapés e cotoveladas que lhes deu que os fizeram ir embora a correr e ele ainda ficou com o boné de um deles... era natal, era de dia e era o centro de lisboa...

jota, you're my hero!

mais tarde na noite, abertura dos presentes. preparavamo-nos para abrir o terceiro presente... toca o telefone... era meia noite e vinte. o avô do n. adormeceu para sempre...

não quero mais natais cmo este...

23.3.09

... presuntos e outras carnes...

ha ja algum tempo que lhes diziamos para virem visitar-nos, e eles vieram... em fim de semana prolongado. cada um, sem saber do outro, trouxe um presunto e outras delicias tipicas das suas origens... e foi assim que a parede da nossa varanda ficou decorada com dois presuntos, chouriças transmontanas e chouriço espanhol e que a garrafeira se encheu de garrafas de varios anos e com varias cores... ontem a casa voltou ao normal, depois do passeio viemos comer pão torrado, presunto e beber vinho tinto... e cada vez que vou à varanda penso que nas proximas semanas teremos que dedicar-nos às receitas com presunto... e assim vou abrindo os livros de cozinha...



25.11.05

as pantufas da tia suzete fizeram-me pensar:

a bisavó emilia e o bisavô manuel, viviam no bairro de campolide. tiveram 6 filhos, a saber:


a avó rosa

a tia suzete
a tia amália
a tia liberdade
a tia idalina
e o tio antónio

...
agora digam-me, haverá família mais lisboeta do que esta?