meu amor
cela me rassure d'avoir la confirmation qu'il est des choses qui demeurent intactes * philippe besson
one of the secrets of a happy life is continuous small treats * iris murdoch
it's a relief sometimes to be able to talk without having to explain oneself, isn't it? * isobel crawley * downtown abbey
it's a relief sometimes to be able to talk without having to explain oneself, isn't it? * isobel crawley * downtown abbey
carpe diem. seize the day, boys. make your lives extraordinary * dead poets society
a luz que toca lisboa é uma luz que faz acender qualquer coisa dentro de nos * mia couto
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22.1.15
sidonie ♥
um ano sem ti. um ano de saudades tuas. tantas saudades, sidonie. ainda choro a olhar para as fotografias e pergunto-me como é que nao fiz mais videos teus. nossos. tenho apenas dois: um nos alpes em que estas a andar à porta de casa e outro no veterinaio de azeitao, quando fui visitar-te. foi o primeiro dia em que vi melhoras e tive uma esperança tao grande dentro de mim. abracei-te e tu sabias que era eu. ja nao me querias largar. encostavas o teu nariz ao meu e ficamos assim, abraçadas, tu muito atenta às palavras que te dizia. nao fazias ronron, mas para eu saber que estavas feliz por estar comigo abanavas o rabo. quando voltei uma semana mais tarde para ir buscar-te ja miavas e miavas muito, estavas zangada de estar ali, zangada por estares dentro da caixa. assim que a abri quando chegamos a casa saiste a correr, feliz. fazias os teus rituais de ires a correr ao quarto arranhar as unhas no tapete. depois, enquanto eu te preparava novos pratinhos de comida e agua miavas ao pé das minhas pernas. quando acabavas de comer e beber ias até à areia, limpavas-te, espreguiavas-te e vinhas deitar-te junto a mim, onde quer que eu estivesse. 3 semanas mais tarde pioraste e, ha um ano atras, a esta hora precisamente, estavas a ter convulsoes que me impressionaram tanto, sidonie. ver o teu corpo saltar sozinho como se tivesse vontade propria e sem que tu nada pudesses fazer por ele. e muito menos eu. mas isso agora ja nao interessa nada. o que realmente interessa é esta pegada que me deixaste no coraçao. para sempre.
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sidonie
22.12.14
♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ sidonie
quase um ano sidonie. este mês foi o primeiro em que nao consegui vir aqui no dia 22. ja passaram onze meses. onze. o tempo passa tao depressa… quando vim escolher a fotografia para pôr aqui parei nos teus traços e pensei durante quanto tempo me vou lembrar deles sem olhar, so fechando os olhos. e quando fecho os olhos nao sao so os traços que vejo. ouço-te. sinto-te. cheiro-te. esta fotografia és tu, todas as manhas à porta da nossa casa nos alpes, para te deixarmos entrar para comeres e encontrares mimos nos nossos braços.
sao as ferias de natal. na televisao francesa vemos as previsoes meteorologicas e passam pela televisao tantos lugares que nos sao familiares. os nomes das estâncias que rodeavam o nosso chalet, imagens bonitas cheias de pinheiros com neve. quando viviamos la, nao olhavamos para as coisas da mesma forma, mesmo que nessa altura eu tirasse imensas fotografias e fosse perdida de amores pelas paisagens. hoje, sentada no nosso sofa em lisboa, penso que tenho tantas saudades daquele lugar. como é possivel termos vivido num lugar tao magico tanto tempo, sem nos apercebermos de que era realmente magico. tenho muitas saudades desses dias sidonie. e tenho saudades tuas. muitas também. sei que todos os gatos sao diferentes e nunca encontrarei outra gata como tu. o meu coraçao é tao grande. tem tanto amor. e tu, sidonie, és um deles.
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sidonie
22.11.14
22.10.14
♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ sidonie
sidonie, meu amor, ja la vao 9 meses… 9 meses que sao o tempo de ver nascer um bébé…
ainda consigo lembrar-me do teu cheiro, dos teus miados, dos teus saltinhos, de tudo… o tempo passa a correr, e o que foi nao volta a ser...
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sidonie
22.9.14
22.8.14
♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ sidonie
saudades de tudo e dos nossos dias, deitadas no sofa, ao lado da grande janela a receber o sol de inverno. tu deitavas-te assim ao meu lado, no cantinho do sofa, e fazias ronron, de olhos fechados ao sol.
… meu grande amor
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sidonie
6.8.14
de repente
voltei atras no tempo. senti-me como no fim dos teens, deitada na cama a ouvir musica nos phones , a experimentar aqueles que ainda funcionam e se ouvem dois lados. depois dei por mim a pensar se a minha bébé conseguiria ouvir a mesma musica que eu. com os fios todos em cima da barriga e a olhar para o tecto deixei-me ficar…
… e de repente veio o out of tune, lembrei-me da sidonie e desatei a chorar. pensei nas noites de inverno com ela aqui aconchegada em mim e no edredao, lembrei-me desta musica que ouvimos tantas vezes juntas. e depois pus-me a pensar se ela estivesse ainda aqui como iria receber um bébé. e nao consigo imagina-le de outra maneira senao como aquelas gatas que protegem os bébés como se fossem as suas crias. e imagino-a tao bem a querer dormir no teu berço…
de repente levantei-me, limpei as bochechas e achei que era tempo de ler o livro da gravidez…
22.7.14
22.6.14
♥ ♥ ♥ ♥ ♥ sidonie
e estas saudades que nao passam?
ah sidonie, lembrar-me de ti, assim, nos prados, a levares com a brisa nos bigodes ou em posiçao de caça… sei que gostavas que eu te visse e te deixasse. por vezes enviava-te com beijo com os labios, e dizia-te "mon amour" e tu retribuias com um fechar e reabrir de olhos vagaroso. sabias que dali a pouco anoitecia e vinhas encontrar aconchego nos meus braços. mais tarde, durante a noite, pedir-me-ias para sair e corrias toda a noite, zangavas-te com os outros gatos. antes do amanhecer miavas à porta para abrirmos. tinhas fome. depois de comeres saltavas para cima da minha cama e adormecias junto à minha barriga, embalando-nos às duas com o teu maravilhoso ronron.
sidonie, se tu soubesses como foste especial…
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sidonie
22.5.14
22.4.14
♥ ♥ ♥ sidonie
ha um ano atras estava tudo a postos para mademoiselle sidonie vir para a grande alface e eu estava radiante. nao cabia em mim de tanta felicidade. nem chegou a passar um ano. hoje faz 3 meses que ela ja ca nao esta.
e eu continuo a ter imensas saudades.
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sidonie
5.4.14
hoje tive um sonho infantil
sonhei que a morte era reversível
sonhei que a sidonie estava deitada ao meu lado e me aquecia com o corpo dela e fazia ronron.
mas lembro-me sobretudo de termos ficado abraçadas muito tempo, eu sempre a fazer-lhe festas.
quando acordei eram 3h da tarde.
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sidonie
9.3.14
like the old sundays… well… almost...
é domingo. tenho tempo. o dia esta lindo. a luz la fora, maravilhosa. esta musica dos mojave 3 é das melhores bandas sonoras para os meus dias nos alpes. eu vou bebendo café pela manha enquanto absorvo isto tudo. encho o pequeno copo que comprei ontem numa das minhas lojas preferidas de val d'isere. vermelha como tantas coisas de decoraçao nas montanhas e como tanta loiça que eu tenho, agora dentro de caixotes, numa casa em tras-os-montes. este copo de café, eu nao precisava dele, mas precisarei d'un souvenir quando estiver em lisboa, de uma coisa concreta que me faça lembrar, cada vez que abro as portas do armario da cozinha, que certos dias existem. na torradeira douram duas fatias de délice d'automne, o meu pao preferido da maison chevallot (a par do petit pain au beaufort, que nao sobreviveu para a fotografia). ontem foi um dia calmo, passeei pela estância, ao sol, entrei na loja onde trabalhei no inverno do ano em que cheguei aqui e conversei com a minha colega como se nos tivessemos visto ontem, mas afinal ja tinham passado 9 anos. mais uma volta, umas fotografias às montanhas e ao final da tarde um encontro com a rt. une crepe au beurre no salon des fous, uma ida ao supermercado para comprar queijo, vinho e pequenos rabanetes para o aperitivo, dois dedos de conversa ca em casa, a promessa de um jantar em casa dela e despedimo-nos. pouco depois o n. regressou do trabalho, sentamo-nos a tomar o aperitivo, fomos para a cozinha preparar o jantar, ouvimos musica, conversamos, conversamos. conversamos sobre muitas coisas e de como aqui a vida dentro de casa tem uma dimensao que nao tem em lisboa.
na fotografia, mademoiselle sidonie que é a melhor coisa de que me lembro destes domingos. se a vida fosse como antes, a esta hora eu estaria a beber o 10° café da manha e ela estaria a levantar-se para mudar de posiçao e a pôr as patas em cima dos livros e do computador para ficar mais perto de mim.
22.2.14
♥ mês
querida sidonie,
foi ha um mês. o tempo voa, agora, sem ti. guardo-te no fundo do meu coraçao e das minhas melhores memorias. guardo os pelos que cortei, no meio de muitas lagrimas, quando ja sem vida, estavas deitada em cima da mesa do veterinario. olho para eles muitas vezes e vejo o "padrao" do teu corpo e as tuas três cores. abro o pequeno saco de platico e inspiro. ja nao cheira a ti, mas eu consigo sentir o teu cheiro.
sidonie, gosto de ir à janela do quarto e de pensar que foi ali que ficaste, na serra do monsanto, algures por cima das nuvens fôfas e da serra verde, vejo-te correr e ronronar na verdura que tu sempre gostaste. quando olho para a frente, antes do monsanto, és tu que eu vejo, meu grande amor.
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sidonie
15.2.14
um maravilhoso encontro num inverno interminável
querida sidonie,
hoje é um dia especial. ha 4 anos estava a escrever o primeiro post sobre ti. nesse inverno sem fim eras ainda "um gato" (humano) que me vinha esperar ao carro e miar à porta de casa. foste o gato que vinha do céu. foste a gata selvagem até te tornares a sidonie. a minha sidonie. porquê sidonie? perguntam-me. porque a colette escreveu este livro maravilhoso. e a colette chamava-se antes de tudo assim: sidonie gabrielle colette.
por vezes, a tua ausência ainda me parece irreal e, por vezes, tenho sentimentos quase infantis, quando acredito que és capaz de voltar. nem que seja por um dia, so para eu te abraçar. imagino-te quase sempre a entrares no quarto e a saltares para cima da cama. depois penso nos pormenores do teu nariz, dos teus olhos. penso no teu cheiro e do teu pelo macio. penso nas tuas cores. e deixo-me ficar assim um bocadinho, aconchegada nesta doce imagem. outras vezes, apetece-me ouvir a minha voz dizer alto "viens, sido, viens ici". o facto de eu falar contigo em francês permanece um mistério para algumas pessoas, mas a verdade é que tudo começou em francês e é essa a tua lingua, depois da dos mimos. nunca saberias responder a "vem ca" porque sempre ouviste "viens là". nunca farias um ronron lindo se eu te dissesse em português "mon grand amour", "mon coeur adoré", "ma beauté".
sidonie, que saudades de te ver assim, deitada nos murinhos em frente ao chalet, a apanhar o sol de junho, por debaixo da macieira.
que saudades.
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sidonie
9.2.14
4.2.14
sidonie, o teu encanto
querida sidonie,
ontem li um post sobre ti no blogue escrita carmim. sim, sobre ti. até eu fiquei surpreendida. e isso levou-me a repensar na tua importância aqui no azul turquesa. sei que muitos dos poucos leitores que por aqui passam vinham ca por causa de ti. conquistaste coraçoes para além do meu, sidonie. verdade. e tudo isso sem te aperceberes porque a tua docura era tao natural, o teu olhar magico, as tuas expressoes tao bonitas, a mancha preta do teu nariz encantadora. quem diria, querida sidonie, que nesses dias em que eu passava as tardes no sofa a teclar em que tu te deitavas nas minhas pernas, com as duas patas pousadas no meu braço esquerdo, quase impossibilitando-me a escrita, que eu falava de ti, depois de te ter fotografado enquanto dormias, enquanto estavas acordada, enquanto fazias isto e aquilo. queria que soubesses isso. agora ja nao estas ca. eu ja nao estou la. e pergunto-me se esta cor azul turquesa, que nasceu noutro pais, com um objectivo definido, tem razao de ser.
talvez tenha que ter uma nova razao. ou nao ter razao nenhuma. e existir apenas.
um beijinho grande à escrita carmim
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sidonie
31.1.14
libellule, ton amour
querida sidonie,
na gaveta das fotografias-memoria, fechada com a chave em forma de coraçao, tenho encontrado algumas imagens preciosas que me transportam para dias inesqueciveis.
todos os dias que passamos juntas estao registados e guardados, quentinhos. mas houve tempos mais maravilhosos do que outros e o tempo desta fotografia, do verao em que nos trouxeste a libellule, foi um desses momentos. lembro-me de acordar a meio da noite e de afastar o cortinado para ver como estavam e de vos ver dormir uma em cima da outra, ou enroladas, ou torcidas. pelo no pelo. lembro-me de nos deixares ver ensinar-lhe a tantas coisas e foi lindo vê-la aprender aos poucos, a olhar para ti, a imitar-te. lembro-me dos dois furoes que nos deixaste à porta quando lhe mostravas como caçar. lembro-me das horas que passavas neste cestinho que te permitia ter um campo de visao largo e poderes defender a tua cria com tempo e astucia. e lembro-me de pores todos os caes a correr a sete patas cada vez que se aproximavam da libellule. lembro-me das vossas tardes na relva. nesse tempo, nunca querias entrar em casa, porque ela também nao queria. e depois chegou o outono, nos viemos de férias, vocês ficaram nos prados e quando regressamos tu vieste a correr receber-nos. a libellule so aparecia de vez em quando, com o gato preto e branco. e um dia deixamos de a ver. talvez alguma familia a tenha levado. e tu… tu pudeste entao regressar a casa.
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26.1.14
sidonie… o teu cheiro a bolinhos...
querida sidonie,
os dias vao passando. a vida vai continuando. consigo sorrir, mas sinto tanto a tua falta…
de noite durmo profundamente porque ja ha muito tempo que tinha que dormir sem dormir para tratar de ti. de manha, assim que abro os olhos penso que me apetecia tanto ouvir-te miar. apetecia-me que saltasses para cima da minha cama ja a fazer ronron, que viesses até ao meu rosto cumprimentar-me com mimos e te aninhasses nos lençois, edredao e mantas que formavam pequenas espacinhos macios e aconchegantes, enquanto eu te fazia festas e te dizia palavras de amor.
à tarde, quando regresso a casa penso sempre em ti e fecho os olhos devagarinho imaginando-te a dormir no sofa e a levantares as orelhas assim que ouvias a porta da rua fechar, a chave a entrar na caixa do correio. 54 degraus depois, antes de eu pôr os pés no tapete, ja miavas porque sabias quem era. eu abria a porta, tu espreitavas as escadas e depois ias a correr até ao teu tapete para "fazer as unhas", voltavas até mim, levantavas as costas e, enquanto eu tirava os sapatos, ficavas de volta das minhas pernas. a seguir eu pousava as minhas coisas, agarrava em ti levava-te aos meus labios e afundava o meu nariz no teu pelo macio. sidonie, nestes ultimos meses em que ja nao sabias que tinhas que te lavar continuavas a cheirar tao bem e, hoje, aqui sentada sozinha no sofa da sala a ver as tuas fotografias, senti o cheiro a bolinhos do teu pescoço.
meu grande amor.
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