cela me rassure d'avoir la confirmation qu'il est des choses qui demeurent intactes * philippe besson

one of the secrets of a happy life is continuous small treats * iris murdoch

it's a relief sometimes to be able to talk without having to explain oneself, isn't it? * isobel crawley * downtown abbey

carpe diem. seize the day, boys. make your lives extraordinary * dead poets society

a luz que toca lisboa é uma luz que faz acender qualquer coisa dentro de nos * mia couto





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7.5.15

feito à mao



a minha mae lançou-se a serio nas artes da costura e do tricot. foi ela que fez quase todos os casaquinhos de malha de mademoiselle, fez-lhe o saco para sair, que ainda nao mostrei aqui, tem feito imensas bolsinhas, carteirinhas e outras coisas bonitas. nos saldos do inverno, comprei esta malita pequenina e redonda para sair sem grande coisa no saco e precisava de uma bolsinha de tecido para os cartoes. pedi à minha mae para me fazer uma e ela anda em testes. esta é a mais recente, ficou na vertical porque na horizontal os cartoes estavam muito apertados. "sem querer" ficou do tamanho exacto para caber dentro da mala. é pequenina a malita, nem parece que aqui dentro cabe o telefone, a maquina fotografica, a carteira das moedas, um caderno, uma caneta… e agora a carteira dos cartoes. adoro e o padrao do tecido é lindo!

3.5.15

dia da mãe


adoro esta fotografia. ha muito que estava esquecida na despensa, rasgada ao meio, o papel amarelecido, seco. fiz uma montagem e ofereci-a à minha mae. nota-se a junçao das duas partes. estavamos no algarve neste dia, na praia. estavamos a contra luz. 
o que eu quis dizer à minha mae, hoje, nao é nada que ela nao saiba, ja. so que hoje, escrevi-lhe de filha para mae e de mae para mae, queria que ela soubesse que continuo a adorar esta fotografia e, agora, mais do que antes, porque para além de ver o que ela mostra, senhorita jota e sua mama, vejo muito mais do que isso. muito mesmo. mas essa é a arte da fotografia… e dos sentimentos.

a minha mae nao podia ser melhor. e quem diz isto é uma pessoa que nao acredita(va) na perfeiçao.

22.3.15

39


hoje penso que foi preciso passarem 39 anos para perceber uma data de coisas.

hoje, que sou mae, imagino a minha ha 39 anos atras, a olhar-me. era o meu primeiro dia. tudo era novo para ela tal como tudo é ainda novo para mim. e so hoje consigo perceber muitas coisas na minha mae. nao so o "leva o casaco que esta frio", ou o leva o chapéu que vai chover", ou o "nao faças isso que te magoas", ou o "endireita as costas", ou o "tira as mais da boca". hoje consigo perceber todas as preocupaçoes, todos os conselhos, todos os desejos, todas as decisoes, todos os sacrificios. muitas vezes, posso nao ter concordado com algumas coisas. muitas vezes, posso ter-me zangado, mas hoje percebo que tudo o que ela queria era o melhor para mim e que o melhor para mim era o que a tranquilizava. e acho que so conseguimos perceber isso quando somos maes. digo maes e digo bem. os pais também conseguem perceber muito mais coisas agora do que antes de o serem. mas os pais nunca vao perceber o que sente uma mae. espero conseguir ser para a minha filha, pelo menos, metade daquilo que a minha mae é para mim. penso muitas vezes na sorte que tenho com as pessoas que me "calharam" e com as pessoas que se cruzaram na minha vida. hoje, aos 39 anos, penso nisso tudo. 

e hoje colhi um limao no quintal do meu irmao, naquele momento, olhei para ele e achei que simbolizava a maternidade. nao colhi flores e ninguem me ofereceu tulipas brancas (sorriso maroto)

22.2.14

atravessar o rio


é bom estar de folga aos dias da semana, especialmente à sexta-feira. ontem foi um dia cheio. encontrar o meu irmao à saida de casa e ir tomar o pequeno almoço com ele no café do costume. entrar no carro da minha mae e atravessarmos o rio para um dia de compras bonitas. chegar a lisboa, pousar os sacos e sair para jantar com um amigo.

1.12.12

hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

quando eu era pequena sonhava com o dia em que a minha mae ia passar o mês todo de dezembro em casa a preparar deliciosos cozinhados, a pensar nas pessoas para convidar no natal, a fazer a lista de presentes e a levar-me com ela no carro para irmos comprar tudo, para uma noite magica em familia. esse dia chegou hoje. eu ja sou crescida, mas ainda sinto uma imensa alegria por pensar que, a partir de agora, ela tem o tempo todo para fazer coisas para si mesma, ela que é uma pessoa tao curiosa, tao interessada por tudo, tao dinâmica. uma mulher elastica, com um coraçao gigante, de ouvido, palavra e tempo infinitamente generosos. 40 anos depois o balanço é de uma mulher que vai deixar muitas saudades dos mais novos aos mais velhos, que sempre distribuiu sorrisos, boa disposiçao e mimos, todos os dias; de uma mulher empenhada, profissional responsavel cheia de classe, alcunhada de jackie (por mim e certamente por outros, em segredo). 
se me perguntassem, um dia, se eu gostava de ser como alguem eu diria que nao estou descontente comigo (cof), mas se eu nao fosse eu, gostava de ser como a minha mae!

i love you lili!
... e a vida começa agora...

7.11.12

a minha mãe e lisboa



começamos a manha às voltas em campo de ourique porque eu tinha comprado um postal para fazer um "lisboa nos postais" cuja fotografia dizia apenas o nome do bairro. na imagem, um gato à janela num enquadramento de azulejos. mas campo de ourique esta cheio de magnificos azulejos e, apesar de termos passado uma manha inteira às voltas, (a minha mae ou é uma santa ou maluquinha como eu, mas é muito mais certo que seja as duas coisas ao mesmo tempo) nao encontramos. dali decidimos ir passear na baixa e depois de ter dito à minha mae que tinha andado às voltas no martim moniz ela quis la voltar comigo. ainda ha coisas que fazemos pela primeira vez nas nossas vidas. coisas simples. andar de metro com a minha mae foi uma delas. la fomos nos de braços e abraços dados num dia maravilhoso de mae e filha. preciso tanto destes dias... destes e de dias de irma e irmao e de pai e filha. andamos por ali, de olhos bem abertos a ver tudo, a absorever a vida em lisboa. ficamos imenso tempo naquela zona e depois fomos subindo a almirante reis para um almoço às três da tarde. mas onde almoçar ali às três da tarde? na portugalia, claro. menus simples, baratos e portugueses. uma bifana servida no prato,  acompanhada de batatas fritas e molho. que maravilhoso almoço português. noutra ocasiao seria so um almoço rapido para "matar o bicho" mas este foi especial, mae e filha a fazerem tchim tchim com uma imperial a outros dias como estes que apesar de nao serem tantos como gostavamos, por causa da distância, compensam todos os kilometros e todos os dias... meses, longe.

i love you lili ♥

26.9.12

sicstiz ou a minha mae tem uma teoria

ontem a a jt contava uma historia no facebook...

conversa de autocarro:
uma senhora - a minha mãe está doente
outra senhora - ai sim que chatice!... 
primeira senhora - fui com ela ao hospital e puseram-na a antibiótes!

ora a minha mae quando fez 60 anos disse-me o seguinte: a partir de agora vou deixar de pronunciar certas letras e começar a dizer pejama, lapes, ténes, mine... e parece que é de acrescentar a esta lista o antibiótes

mas afinal qual é o problema com o i?
ela diz que sao coisas de idosos, embora eu ache que ela seja uma jove(m) 

25.9.12

aos olhos dos nossos pais

uma pessoa sabe que aos olhos dos pais continua a ser pequenina, quando, com a maior naturalidade, eles fazem declarações de amor em publico (neste caso numa pagina com 52.639 gosto)

... mas o ♥ fica tão quentinho...

1.5.11

"e as mães são poços de petroleo nas palavras dos filhos"


hoje é um dia de comemorações. para além de ser o dia do trabalhador, em frança é dia de muguet, esta flor delicada, diz a tradição, traz felicidade e, contam, se a flor tiver 13 sininhos é felicidade garantida. contei-os e tive a sorte de ter dois pés com 13 sininhos. em portugal festeja-se o dia da mãe, por isso, este muguet ofereço-o à minha mãe, assim como estas palavras, das coisas mais bonitas que li, desde sempre, sobre as mães. o tão ansiado beijo antes de adormecer de marcel proust e o poema "a fonte" de herberto helder

"eu jantava antes de toda a gente e vinha depois sentar-me à mesa, até às oito horas, hora a que estava assente que tinha que subir; aquele beijo precioso e fragil que a minha mãe me confiava na cama na hora de adormecer, tinha eu de o transportar da sala de jantar para o quarto e de o guardar todo o tempo que demorava a despir-me, sem que se quebrasse a doçura, sem que se lhe envolasse e evaporasse a sua virtude volatil..."

também eu ansiava por este beijo ao deitar. a porta entreaberta, a luz da casa de banho acesa para não ficarmos no escuro e eu ouvia os movimentos da minha mãe na cozinha, conhecia os sons de todos esses movimentos. depois ouvia os passos no corredor e adivinhava o abrir da porta do quarto. a minha mãe dava-nos um beijinho, ajeitava-nos os lençois, aconchegava-os a nos e, pensando que estavamos a dormir, apagava a luz. eu respirava fundo e imaginava-a sentar-se no sofa no silêncio da noite... e então adormecia com um suspiro...

16.12.10

ir ao pormenor

a minha mãe tem uma maneira curiosa de falar daquilo a que eu simplesmente chamo camisolas... brinco com ela porque diz muitas vezes "blusa", mas agora deu-lhe para coisas mais precisas... diz que comprou uma camisola cor-de-azeitona-de-elvas...

8.5.09

para ti lili...

um post para o dia 3 de maio...

este é um post para uma mulher com os pés muito bem assentes na terra, para uma mulher com uma força de vontade exemplar, com um grande sangue frio da situações mais delicadas, com um grande coração, com muita classe, com muita generosidade, com muito bom senso... uma mulher de uma palavra so (palavra de honra) "a mulher com os joelhos mais bonitos que alguma vez vi", disseram-me uma vez em segredo. uma a mulher intransigente com o relogio, instransigente nas regras da boa educação... é a mulher que chora de rir em silêncio e nos faz rir so de olharmos para ela, a mulher que sempre disse (e com razão, dizemos nos agora) "leva o casaco que vai estar frio" ou "leva o chapéu de chuva", é a mulher que ouve as musicas que gosta aos gritos no carro, que arranja sempre lugar em frente ao sitio onde pretende ir, que fuma à janela da cozinha, com as unhas pintadas de vermelho, que tem sempre a palavra certa na ponta da lingua... and so on...
e o resto ja sabes querida lili! feliz dia da mãe, via internet, em atraso...

8.9.06









... não sei se a minha mãe leu o post sobre os talheres e as cadernetas ou se terá sido apenas uma coincidência... a verdade é que ontem quando abri o envelope que trazia o público de sábado encontrei também um dvd da heidi e do marco, dois livrinhos de histórias com mesmos protagonistas e ainda uma folha cheia de cromos, para colar numa caderneta que deve vir com o próximo dvd. por isso, saudosistas das cadernetas, ficam informados, podem comprar em qualquer quisoque... o único senão é que não há carteirinhas de cromos para abrir e a expectativa de vir lá dentro um dos tais "dificeis"...

29.8.06

aos olhos dos nossos pais somos sempre pequeninos...
... a minha mãe, por partir deste princípio, por achar que eu não tenho talheres para receber pessoas em casa e por gostar muito da bodum, começou a fazer uma colecção de talheres para mim... mas como estes talheres vêm com uma revista, todas as semanas me envia, por correio, uns quantos... o problema é que nem ela, nem eu, depois de não sei quantos envios, sabemos a quantas andamos. então, a minha mãe pediu-me para contar os ditos talheres e enviar-lhe por mail as quantidades.... o que eu não sabia é que ela ía dar esse mail ao sr. do quiosque para ele, então, gerir a minha colecção de talheres... e foi hoje que ela me disse que ele devia ser tão desorganizado como nós porque lhe disse que faltavam apenas 3 colheres de sobremesa, coisa que a deixou desconfiada... eu sorri... e, com esta história, lembrei-me das listas que fazia, em folhas de linhas, e que dava aos meus pais, com os números de cromos que me faltavam, e de eles me dizerem que íam tentar passar pela estação de comboios do rossio e ver se encontravam os cromos "dificeis" para eu conseguir acabar a caderneta...

21.7.06

... acho que no fundo do coração, a minha mãe me envia todos os meses a revista "psicologia actual" na esperança que eu, um dia, decida acabar o último ano do curso....

20.12.05

gosto desta casa... é antiga... tão antiga que o simples facto de andarmos faz tilintar os copos e as garrafas... e temos que pôr chouriços de pano, no chão, junto às portas, para não entrar o frio... e o cheiro e a cor dos móveis fazem-me pensar nos dias em casa da minha avó... quando andava no meu triciclo vermelho pelo corredor, que me parecia enorme, tudo tremia naquela casa...
...e faz-me pensar também nos dias em que a minha mãe saía mais cedo do trabalho para me levar ao médico, que ficava no camões... era um prédio muito antigo, a sala de espera tinha cadeiras forradas a veludo vermelho e os móveis eram castanhos e enormes... eu não gostava nada de ir ao médico, detestava as mãos frias da assisente a despirem-me, aquela espátula para observar a garganta... mas isso tudo era compensado pelo facto de estar mais tempo com a minha mãe... e depois, nesses dias, ela comprava-me livros numa papelaria que ficava lá em frente, para eu não ter medo... e o médico, quando me vinha embora, oferecia-me sempre uma seringa de plástico para eu brincar. eu ficava feliz com isto tudo e por pensar que só tinha que lá voltar dali a muito tempo...