cela me rassure d'avoir la confirmation qu'il est des choses qui demeurent intactes * philippe besson

one of the secrets of a happy life is continuous small treats * iris murdoch

it's a relief sometimes to be able to talk without having to explain oneself, isn't it? * isobel crawley * downtown abbey

carpe diem. seize the day, boys. make your lives extraordinary * dead poets society

a luz que toca lisboa é uma luz que faz acender qualquer coisa dentro de nos * mia couto





11.12.14

do amor



fez ontem uma semana que mademoiselle sementinha nasceu. foi exactamente no dia que estava previsto inicialmente, portanto, é uma demoiselle muito pontual. por causa de algumas particularidades que sucederam durante a minha gravidez, a medica obstetra sugeriu-me que ela nascesse antes das 40 semanas e como estava de urgencia no dia 2 de dezembro marcamos para essa data. senhorita jota chegou de malas e bagagens ao hospital, junto ao tejo, muito cedo, nesse dia. tinha um no na barriga por saber que tudo ia acontecer ali e dali a pouquinho tempo. tinha a sensaçao de ter ido ao hospital buscar a encomenda que a cegonha tinha deixado em seu nome. sentou-se na cafetaria com duas pessoas muito importantes na sua vida e bebeu o ultimo café de nao-mae. tinha um no numa barriga que ja estava grande e apertada. depois levantou-se serenamente e começou pour tratar da parte administrativa. pouco depois vinha uma senhora busca-la para lhe mostrar os aposentos e pouco mais tarde outra senhora para lhe falar do procedimento. senhorita jota tinha um parto induzido marcado. fez tudo como lhe disseram. abriu os estores do quarto e olhou la para fora, imaginando as horas que iriam seguir-se. e as horas passaram, passaram, passaram e mademoiselle sementinha teimava em nao sair. ora pois, se inicialmente lhe tinham dito dia 3 era dia 3 e nao dia 2. 
tic tac tic tac tic tac tic tac
e nada.
quase doze horas mais tarde, às 19h30 senhorita jota começou entao a sentir que as coisas iam mudar. começou a ficar xôxa e a olhar para a maquina da ctg. estava a entrar em trabalho de parto. devagar. devagarinho. tinha dores cada vez mais fortes com apenas 3 dedos de dilataçao. nos intervalos pensava em todas as mulheres que deram origem a toda a humanidade e que nunca conheceram a epidural e achava-as heroinas. maes que dao à luz 3, 4, 5 e muitos mais filhos assim, sem anestesia. senhorita jota ja nao aguentava e pediu o remedio santo. quando o administraram quase que viu elefantes cor de rosa. droga boa, aquela. duas horas mais tarde e ainda a passo de caracol voltaram mais dores, desta vez diferentes e mais insuportaveis do que as primeiras que foram acalmadas com mais uma seringa. senhorita jota dormitou um bocadinho. a meia noite ja tinha sido ha umas horas atras e estavamos portanto na madrugada do dia 3 de dezembro. às 3 e muitos minutos veio a medica dizer que finalmente estava quase tudo a postos, que estava com 9 dedos de dilataçao… mas… o liquido estava de uma cor estranha. mademoiselle sementinha tinha feito coco na barriga da sua mama e ia ter mesmo que sair naquele momento. os planos mudaram, levaram-me logo para o bloco operatorio e iniciamos a cesariana. senhorita jota estava aterrorizada por lhe adormecerem o corpo, por lhe mexerem nas entranhas. foi tudo muito rapido. no meio dos tremores senhorita jota pensava que para chegar aquilo ja podia estar despachada desde qs 9h da manha da vespera e mademoiselle sementinha teria nascido em dia par. manias. e de repente ouve o pai dizer "ja esta, meu amor, ela ja nasceu", eu perguntei se ja chorava, ele respondeu que sim e chamaram o pai para ir para perto dela, enquanto acabavam a intevençao comigo. pouco depois, o pai voltou com a enfermeira que trouxe a minha bébé, enroladinha numa manta cor-de-rosa, oferecida pela avo l. e aproximaram-na do meu rosto. era tao branquinha e redondinha. tao bonita. chorei. beijei-a. disse-lhe palavras de amor e levaram-na para o berço. depois fiquei na sala de recobro a recuperar. disseram-me para começar logo a amamentar, assim, sem sentir as pernas, adormecida até quase ao peito. 
tinha a fragilidade nas maos. o amor nas maos... o amor, agora palpavel.
ja nao era senhorita jota, ali. agora eu era senhorita jota, mulher e mae da m. 

3 comentários:

Blanche Cérise disse...

Querida J., leio um amor imenso e uma ternura infinita nas tuas palavras e sorrio aqui deste lado do monitor!

Um sorriso enorme e um abraço apertado :)!

Maria Carmim disse...

Muito mal educada essa menina, a ter descuidos em local e hora tão impróprios!
Oh la la!

J. disse...

obrigada menina cerise! outro beijinho para os alpes