cela me rassure d'avoir la confirmation qu'il est des choses qui demeurent intactes * philippe besson

one of the secrets of a happy life is continuous small treats * iris murdoch

it's a relief sometimes to be able to talk without having to explain oneself, isn't it? * isobel crawley * downtown abbey

carpe diem. seize the day, boys. make your lives extraordinary * dead poets society

a luz que toca lisboa é uma luz que faz acender qualquer coisa dentro de nos * mia couto





26.9.12

eram poucos mas bons



eu nao queria dizer em voz alta, mas estava à espera que nao viessem, praticamente, crianças portuguesas à hora do conto. deixei-me ficar optimista e apaixonada com esta animação, mas no fundo tinha algum receio de me desiludir. as familias portuguesas, infelizmente, sao pouco participativas neste genero de iniciativas. como ja tinha experiencias anteriores e, como na noite do debate sobre o bilinguismo não havia uma unica pessoa portuguesa, tirando eu, estava à espera de tudo. mas eles vieram e digo eles porque para meu grande espanto eram 4 rapazes (é que é sabido que ha muito mais raparigas a ler do que rapazes). deviam ter entre os 6 e os 9 anos e escolhi começar a hora do conto pelo livro « enquanto o meu cabelo crescia ». tinha decidido que entre cada historia faria uma adivinha, porque temos na biblioteca alguns livros de adivinhas e, com toda a modestia, não podia ter sido uma ideia melhor. os rapazes adoraram as perguntas e perderam logo a timidez. como eramos poucos fui perguntando quais as historias que eles queriam que eu lesse em primeiro e foram eles que foram pedindo (tal livros pedidos).  "a manta, uma historia aos quadradinhos (de tecido)" foi um sucesso para as crianças mas tambem para os adultos, ficou em primeiro lugar do top. logo a seguir "emilia e o cha de tilia" (emilia que fazia chas, mas nao era chalada – grande momento de risota) e depois entao a historia do cabeleireiro da mila. eles sorriam e isso deixou-me tao contente. 

no final das leituras pediram mais adivinhas e eu fui abrindo o livro ao calhas lançando as perguntas enquanto eles pensavam e procuravam as respostas, perguntando, por vezes, o que queria dizer certa palavra. para mim, isto valeu tudo... o que é que tem de especial 4 meninos portugueses contentes com um livro de adivinhas? é que, às vezes, o gosto pela leitura pode começar assim mesmo, com um livro de adivinhas. a verdade é que penso que foi muito além disso, porque eles quiseram levar emprestimos, houve novas inscrições, houve mães nos corredores a procurar livros com os filhos e houve o meu coração a sorrir por dentro. 

desta quinzena do bilinguismo, que termina no sabado, houve muita coisa para reter. muitas coisas importantes foram ditas, novas ideias surgiram e outras avizinham-se : 
fiquei a saber que so 9 % de familias bilingues é que transmitem as duas linguas aos filhos; 
que se os pais e familiares valorizarem as duas linguas e cada um a falar correctamente, a criança sabera que ambas sao importantes e falara as duas normalmente; 
e porque a pressa é inimiga da perfeiçao, nunca pressionar as crianças por nao aprenderem depressa, por nao falarem as duas linguas correctamente. cada um tem o seu tempo e precisa desse tempo para se adaptar. quanto menor for a pressao mais natural é o desbloqueio. 
ser bilingue (ou plurilingue) é uma riqueza enorme e é importante fazer tudo e de forma equilibrada para que uma criança desenvolva as duas (ou mais) linguas nas melhores condiçoes. deste debate, cheio de duvidas, de momentos de troca de experiencias, de momentos de vida, cheio de sotaque inglês, italiano e polaco, surgiu uma vontade: a de que nascesse um café bilingue para que, em vez de termos que trocar experiencias humanas uma so vez, pontualmente, o possamos fazer todos os meses. se tudo correr bem no mês de outubro ja estamos de taça, na mao, a fumegar, a trocar duvidas e a ouvir sons os sons diferentes de todas as linguas. adoro sotaques.

se, hoje, sou feliz no meu trabalho? 
sou.

5 comentários:

Carla R. disse...

Quem bom ! Como passamos muito tempo em Portugal e eu falo às vezes português aqui em casa, os meus filhos falam fluentemente as duas linguas, tudo muito natural. Mas, de facto, não é comum, a maior parte das crianças luso descendentes percebe português mas não consegue falar, ou muito pouco. Excelente ideia essa do café torre de Babel !

J. disse...

sim, é verdade que muitas crianças luso descendentes percebem português, mas têm dificuldade em falar

podes importar (ou descentralizar) o café bilingue ;) se bem que é muito provavel ja existirem uns quantos por ai :)

luisa disse...

Tendo vivido em França até aos 16 anos, sou bilingue. Depois vim para Portugal e a não ser com amigos franceses ou com os meus primos que ainda lá vivem, por cá não me sai espontâneamente a língua. Daí que eu carregue uma certa culpa por não ter falado com os meus filhos também em francês proporcionando-lhes uma boa aprendizagem deste idioma.

B. Cérise disse...

Adorei a ideia do café bilingue e da hora do conto trilingue. Fizeste-me ter vontade de regressar à Alemanha enquanto professora de Português dos filhos dos nossos emigrantes. Adorei a experiência e se a decisão fosse só minha, ainda hoje lá estaria :(
Acho que os pais devem falar com os filhos a sua própria língua, mesmo imersos numa outra cultura com uma língua diferente, pois só assim se estimula a multiculturalidade e uma maior compreensão do mundo.
Eu fazia o melhor que conseguia, mas nem sempre é fácil ultrapassar a barreira que alguns miúdos estabelecem perante a língua materna da família e não é numa aula de 2h/semanais que se consegue isso!

Beijinhos e obrigada por em fazeres recordar os bons momentos da minha experiência alemã :)

J. disse...

penso que para os pais também pode nao ser facil gerir a forma de ensinar as duas linguas, porque requer um esforço, um cuidado, uma atençao em tudo; porque para muitas familias com pais de duas nacionalidades diferentes implica estar sempre a passar de uma lingua a outra, mas também pode ser um exercicio e depois tornar-se natural. e creio que é um esforço que vale a pena, precisamente pela riqueza que é poder compreender o dobro das pessoas, ler o dobro dos livros, ter tantas palavras diferentes para dizer a mesma coisa, etc etc...
por vezes penso que qualquer dia a lingua portuguesa desaparece e estes exemplos de que temos comentado aqui sao a uma escala pequena, porque as pessoas que representam o nosso pais estao-se nas tintas para o português. e se eles se estao nas tintas, se eles proprios nao estao preocupados em valorizar a nossa lingua, quem é que se vai preocupar com a importância dela? sao eles que têm meios para tentar fazer com que ela nao desapareça. contudo, aqui em frança, o português esta nas primeiras linguas a serem suprimidas do ensino, porque ha cada vez menos pessoas interessadas em aprender. nas escolas portuguesas, este ano, ha proprinas e se ja havia poucas crianças na escola, agora ainda havera menos.

gosto de saber das vossas experiências :)