À falta da fotografia da sangria ponho aqui a mousse de limão com vodka que comi bebi na sexta-feira na casa das enguias.
Sangria é a tese da felicidade e a sua antítese. Praticamente só bebo sangria nas férias, nas folgas, aos fins-de-semana, ou seja, em momentos em que o tempo é meu, nosso, porque não bebo sangria sozinha. Bebo principalmente no verão, que até aqui não era a minha estação preferida, mas pela qual agora começo a sentir uma simpatia invulgar. Branca ou tinta, com champagne ou com vinho, há que saber servir, porque os cubos de gelos não poupam os salpicos e as nódoas na camisola e há que saber deixar frutas para todos aqueles que gostam. A sangria não foi inventada para se beber sozinho, senão não havia cá a história do jarro.
A última sangria que bebi foi no jantar de ano novo, com a minha querida e grande amiga Paula, que faz hoje 50 anos. Bebida alguma desce tão depressa como esta (água à parte). Antes da passagem de ano, tinha sido no verão, num restaurante na costa alentejana. Assentámos arraiais à hora de almoço e ali ficámos, como boas portuguesas que somos, até anoitecer. Depois fomos desmoer para a praia, à noite, só nós, o mar, a amizade, os pés na água e a certeza de que a sangria nos acompanha sempre nas férias, juntamente com o Aperol Spritz.
Sobre o outro lado da sangria prefiro não dizer grande coisa, a não ser que este mês já me calhou duas vezes. Mas isto ainda é como o outro, porque com tudo o que se passa no mundo, a perspectiva de ressuscitar o pior lado do vocábulo assusta-me. Se for para nos afundarmos que seja num jarro de litro e meio.
Esta publicação inscreve-se no projecto Largo onde escrevem várias mulheres.Helena Araújo, no 2 dedos de conversa
Carla R., no A curva
Maria João, no A gata Christie
Rita Dantas, no Boas intenções
Mariana Leite Braga, no Gralha Dixit
Marisa Maurício, no Quinta da Cruz da Pedra

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